Embu das Artes


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Embu tem 260 mil habitantes e grande extensão urbana. A maioria dos seus atrativos, porém, concentra-se no compacto centro histórico da cidade. Foi com os jesuítas, presentes na região desde o século 16, que surgiu a tradição artística local. Além de catequizar os índios, eles esculpiam imagens sagradas para o acervo de sua sacristia.
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Hoje, o Conjunto Jesuítico, erguido pela ordem religiosa no começo do século 18, é uma das imagens mais marcantes de Embu. Construído como igreja e residência dos padres, o complexo abriga o Museu de Arte Sacra. No local, pode-se admirar obras como o “Senhor Morto” – estátua de Cristo em tamanho real, esculpida a partir de uma única tora de madeira – e a figura de Nossa Senhora do Rosário.

O museu está situado no belo Largo dos Jesuítas e, nas alamedas vizinhas, surgiu uma das principais feiras de artes e artesanatos do país. São hoje mais de 500 expositores, além dos ateliês, antiquários e museus que ocupam as antigas casas do centro histórico. A diversidade de produtos à venda é imensa: há pinturas, esculturas, joias, vestimentas, penduricalhos, porcelanas, móveis rústicos e até plantas e flores. Tudo disposto com pendor criativo e bom gosto.

Aos domingos, quando todo o comércio se encontra em pleno funcionamento, músicos e poetas invadem a cidade, com seus violinos, sanfonas, violões e versos. Um deles é a escritora Giselle Biaanconi que, vestida com roupas de baile do século 19, recita poemas para os turistas que circulam pela área. Ela, que já levou uma pedrada na cabeça enquanto divulgava seu trabalho no centro de São Paulo, diz que em Embu o cenário é outro: “aqui as pessoas estão mais abertas para ouvir minhas poesias. Embu é um lugar propício para a arte”.
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Cidade cultural

Embu tem conseguido manter sua tradição criadora ao longo dos tempos. Desde o início do século passado, a cidade vem abrigando grande contingente de artistas: começou, nos anos 1920, com o escultor e pintor Cássio MŽBoy, ganhador de prêmios na Europa e amigo de grandes figuras do modernismo brasileiro, como Anita Malfatti e Tarsila do Amaral. Seguiram-no artistas plásticos como Tadakyio Sakai e Claudionor Assis Dias, que começaram a dar aulas de seu ofício e atrair mais pessoas do ramo para a cidade.

A cena se fortaleceu e culminou na realização do 1° Salão de Artes Plásticas de Embu, em 1964, e na criação, em 1969, da feira de artes e artesanatos, que até hoje é o símbolo local.
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Museus vieram a reboque, e atualmente a cidade abriga o Memorial Sakai de Embu, onde estão belas obras em terracota do escultor e de seus discípulos, e o Museu do Índio, que aborda a cultura de diversas tribos indígenas do Brasil. O Centro Cultural Mestre Assis de Embu, por sua vez, hospeda exposições de arte, recitais e eventos teatrais.
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Embu das Artes foi elevada, em 1979, à categoria de estância turística do Estado de São Paulo. Seu colorido cenário artístico, e a história que lhe serve de base, são os principais atrativos locais. Mas a cidade tem outras virtudes: o Parque do Lago Francisco Rizzo, a cinco minutos de carro do centro histórico, oferece, em seus 217 mil m² de área, belas paisagens naturais e frequentemente hospeda eventos culturais. Já o parque ecológico “Cidade das Abelhas”, situado a sete quilômetros de Embu, é uma das atrações mais originais do Estado, onde se pode observar outro tipo de arte: a apicultura.