Itanhaém e Mongaguá


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Justiça seja feita enquanto há tempo. Quem deixa o preconceito em casa e desce a serra disposto a quebrar paradigmas depara-se com uma extensa faixa de praias que vai além dos limites do mar e avança sobre a costa da Mata Atlântica. Cidades como Itanhaém e Mongaguá oferecem opções de turismo que surpreendem quem torce o nariz quando o destino é o trecho sul do litoral de São Paulo.
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Itanhaém, a segunda cidade mais antiga do Brasil, orgulha-se do título de cidade histórica do Estado e faz questão de mostrar o que tem. A fundação daquele povoado foi em 1532, mas é no século 21 das discussões ambientais que a região começa a redesenhar seu cardápio de serviços turísticos a partir de sua História e dos patrimônios ambientais que lhe asseguraram o título de Amazônia paulista. Basta um passeio em uma das embarcações que sobem o rio Itanhaém para entender.

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A viagem por aquelas terras tem um certo tom de nostalgia que estimula sensações esquecidas na alma para as quais não conseguimos encontrar explicação, e quem chega pela primeira vez tem a impressão de já ter provado aquelas experiências, ainda que pelos livros de História.
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Na praia da Saudade, uma área bucólica de pedras escuras e ondas que batem forte, o corpo paralisa e a mente vai longe. Tão longe quanto as terras de onde saíram os estrangeiros famosos na cidade como o escritor viajante Hans Staden, o náufrago alemão que encontrou abrigo na aldeia “Conceição de Itanhaém”, e o padre espanhol José de Anchieta. Aliás, esse religioso das Ilhas Canárias, que trouxe na bagagem a dura tarefa de catequizar índios, é uma das figuras mais cultuadas da cidade e com o maior número de atrações turísticas que levam o seu nome.
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Outro personagem importante é o índio tupi-guarani que habita aldeias afastadas do centro de Itanhaém. O acesso não é fácil, e nem sempre é possível chegar sozinho, mas a experiência de beber direto da fonte da História indígena do Brasil, na aldeia Piaçaguera, é uma sensação única que nenhum livro seria capaz de descrever com tanta precisão. O primeiro contato pode ser emocionante e levar alguns dias para a alma digerir tanta informação.
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O destino seguinte é Mongaguá, a apenas 20 km da vizinha histórica. A cidade tem como principal cartão-postal uma plataforma de pesca em forma de “T”, considerada a maior da América Latina. Até os menos interessados em lançar iscas sobre o mar em busca de bagres e corvinas não deixam de render-se à monumentalidade dessa placa de concreto de oito metros de largura e 400 metros mar adentro.
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Com concorrente natural e histórico tão próximo, a cidade não quis apostar apenas na sorte que vem das varas de pescar e logo tratou de criar uma identidade turística própria que trouxesse para o centro a riqueza natural da região. Trilhas em pleno centro urbano, parque ecológico e uma variada estrutura de quiosques à beira-mar são algumas das opções. Até Iemanjá escolhe, uma vez por ano, passar algumas horas na praia de Agenor de Campos durante o impressionante encontro dos centros de umbanda e candomblé no mês de dezembro.
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Com tantas alternativas de turismo em Itanhaém e Mongaguá, o que não falta é litoral no sul de São Paulo.