Gramado


A cidade tem cerca de 32 mil habitantes e fica distante 115 km de Porto Alegre. Apesar de curta, a viagem desde a capital gaúcha separa temperaturas distintas. O inverno em Gramado é rigoroso, com temperaturas abaixo dos 10ºC, e expectativa de neve. À noite, faz frio em todos os meses do ano. Quem chega acompanhado curte confortos diversos para se aquecer nos hotéis, pousadas e restaurantes: piscinas térmicas privativas, hidromassagem, lareira, fondue, vinho, chocolate quente.

Gramado divide com a vizinha Canela algumas novidades entre as atrações que encantam adultos e crianças. O Gramado Zoo dispõe de instalações modernas que permitem ver onças, pumas e macacos sem grades na frente, além de centenas de aves da fauna brasileira voando em grandes viveiros. Em Canela, o Alpen Park, o parque do trenó, inaugurou um cinema 4-D, anunciado como pioneiro no Brasil, cujos efeitos especiais permitem ao público sentir até a umidade e a ventania do filme na tela em semicírculo. Na estrada de Gramado para Canela, a fábrica Caracol instalou o espaço temático “O Reino do Chocolate”.

Parques, aventura e chocolates são diversões para todas as épocas do ano, como o fondue suíço e as mesas fartas de café colonial, outras marcas de Gramado, estas associadas à colonização de imigrantes alemães, italianos e portugueses. Mas existe um pedaço do calendário em que a cidade gaúcha fica diferente de qualquer outra cidade brasileira: o Natal, festejado intensamente ali ao longo de dois meses, de novembro a janeiro.

Já verde por natureza, Gramado se veste de vermelho e dourado. As ruas, as praças, os lagos, as fachadas de lojas e hotéis, todos os cantos dão boas-vindas para Papai Noel e para os visitantes em busca de boas compras. Espetáculos de música, teatro de bonecos e shows de fogos reforçam o clima de contos de fadas, que sobrevive, de alguma forma, o ano inteiro, em espaços como a Aldeia do Papai Noel, um parque temático no centro da cidade. As renas ainda não puxam trenós pelos céus, mas elas estão lá, saltitantes, perfilando-se atrás do cercado coberto de pinheiros. E um senhor de capuz e barbas brancas legítimas também faz plantão diário para as fotos a poucos metros das renas, na Fábrica de Presentes.

Para quem está visitando a cidade pela primeira vez, um passeio de hora e meia na Jardineira das Hortênsias, o city tour oficial, dará a noção das distâncias entre cartões-postais como o Lago Negro e a rua Coberta, um retângulo de lojas e bares que recebe o tapete vermelho e os artistas durante o Festival de Cinema. As caminhadas ajudam a gastar as calorias acumuladas na gastronomia local, mas alguns trajetos são longos, com ladeiras íngremes. A fim de percorrer com calma as atrações, espichar até os belos parques de Canela e ainda conhecer o Vale dos Vinhedos e Aparados da Serra, é melhor alugar um carro. Outras alternativas são a linha de ônibus entre Gramado e Canela, com saídas a cada 20 minutos das respectivas rodoviárias, e os passeios em vans das agências de receptivo.

Arregalando bem os olhos, nota-se que inclusive locomotivas circulam em Gramado, com apito e tudo, e diz a lenda que elas pararam de circular quando os túneis se entupiram de neve no rigoroso inverno de 1994. São os trens em miniatura do Minimundo, um museu especialíssimo, ao ar livre, que reproduz monumentos, castelos e igrejas, a maioria europeus, em escala 24 vezes menor do que o tamanho original.

Se algumas cidades são definidas pelo engenho humano, como é o caso da Brasília de Oscar Niemeyer e de Foz do Iguaçu e sua Itaipu Binacional, Gramado conta com ajuda do Minimundo para se apresentar. A fantasia, o artesanato, a nobreza do trabalho braçal e sobretudo a dor da Europa perdida pelos imigrantes estão estampados no museu inaugurado em 1983. O fundador, o alemão Otto Hoppner, faleceu em 1986, mas os filhos e os netos deram sequência à sua arte, acrescentando ao acervo miniaturas de monumentos brasileiros e argentinos, além de publicações.