São José dos Ausentes


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Mas qual seria a origem? Conta-se que data do século 18, quando aquele lugar era conhecido como a ‘Fazenda dos Ausentes’, maior latifúndio do Rio Grande do Sul, com mais de mil km² de área. Leiloadas por duas vezes, os donos nunca assumiram as terras e não havia sucessores. Os últimos arrematadores foram três paulistas, que venderam ao comerciante português Antonio Manoel Velho, que começou o desenvolvimento local.

Fazer com que o visitante se sinta em casa parece ser a principal preocupação dos moradores, que se esforçam de todas as formas para agradar. O turismo rural é um dos principais atrativos de lá e os meios de hospedagem funcionam nas fazendas, transformadas em pousadas acolhedoras, atendidas pelos próprios proprietários.
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Tudo é muito simples e encantador. O visitante entra em contato com a vida e os costumes do gaúcho serrano, acompanhando as lidas campeiras, como a ordenha das vacas e o recolhimento do gado. As rodas de chimarrão, os bolinhos caseiros, os queijos e as boas histórias transformam a convivência de turistas e proprietários em grandes amizades. E como se come bem!

Na divisa com Santa Catarina, São José dos Ausentes é uma das cidades mais frias do Rio Grande do Sul. Portanto é bom estar prevenido mesmo no verão, pois as temperaturas podem ser bem rigorosas. O fenômeno da viração (diferença de pressão entre o litoral e os campos de cima da serra, que faz com que uma grande quantidade de nuvens suba em direção ao cânion) ocorre quase que diariamente, e é um grande espetáculo. Lá se destacam também o rico manancial hídrico (de onde brotam as nascentes de rios cristalinos) e a presença de belas aves, como a corucacas, (símbolo do município), o cacará, a siriema, o jacu e a gralha azul, entre outras.

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Cenários para TV
Tonico e Rosane Nakes formam um simpático casal típico da região. Engajados na preservação da natureza e da cultura local, eles transformaram a fazenda que pertence à família há várias gerações em uma confortável pousada rural. Um belo dia, uma proposta da rede Globo mudou a rotina da família e a propriedade se tornou um dos cenários da novela ‘O Profeta’.

O velho galpão dos fundos da casa foi transformado no lar do personagem principal da trama, e até hoje mantém a decoração, funcionando como um pequeno “museu”, que abriga ainda vários objetos que retratam a cultura local. Embora a história da novela se passe no interior paulista dos anos 50, os gaúchos se orgulham de terem emprestado a beleza de seus cenários para a televisão. Paisagens que já eram famosas por também terem estado na minissérie ‘A Casa das Sete Mulheres’.
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Na sala da casa de madeira, típica da região, um mural com fotos é a forma de guardar a recordação e mostrar aos visitantes a passagem da produção da emissora. Samuel, filho dos proprietários, conta curiosidades e fala sobre os bastidores das gravações, que acompanhou de perto, atuando até como dublê.

Outras fazendas da região também mostram suas relíquias e fotos. Na Monte Negro se hospedaram os artistas e nas pousadas Aparados da Serra, Potreirinhos e das Araucárias ficaram as equipes de produção.

Graxaim Carçado

Há mais de uma década a pesca esportiva de Truta Arco-Íris (flyfishing) atrai amantes do esporte de várias partes do mundo para a região do rio Silveira. E já criou uma divertida lenda narrada pela população local. Eles contam um fato estranho que aconteceu no dia 27 de julho de 1997, data da primeira Expedição de Pesca da Truta Arco-Íris.

Naquela fria manhã, dezenas de pescadores se reuniam no rio Silveira em busca das famosas trutas. Foi então que um pescador, na ânsia de logo colocar os trajes de pesca, esqueceu um par de botinas na beira do rio. Encerrada a pesca, ele as procurou e nada!

Meses depois, o dono da estalagem disse ter visto um Graxaim (animal típico da região) calçado com um par de botinas nas patas dianteiras. Desde então o bichinho se tornou uma espécie de guardião do rio, afugentando os pescadores furtivos e as lontras que teimam em matar as trutas.